Projeto de leitura “Arapiraquinhas” foi abandonado na gestão de Rogério Teófilo

Por em 24 de Novembro de 2017

Projeto foi implantado pelo ex-prefeito Luciano Barbosa. Ex-secretária de Educação Ana Valéria diz que abandono está relacionado a mudança de gestão

Com o objetivo de estimular e incentivar a leitura entre as crianças e jovens, a Prefeitura de Arapiraca, por meio da Secretaria Municipal de Educação, implantou, no ano de 2010, na gestão do ex-prefeito, Luciano Barbosa (PMDB) o projeto das bibliotecas públicas digitais de bairros, carinhosamente denominadas de “Arapiraquinhas”. Inicialmente o projeto foi implantado no bairro Jardim Esperança e pela sua importância para a educação foi implantado em outros bairros da periferia de Arapiraca.

A primeira unidade foi inaugurada em agosto de 2010, para atender alunos e moradores do bairro Jardim Esperança. A segunda “Arapiraquinha” foi inaugurada em agosto de 2011, no bairro Novo Horizonte. As demais foram implantdas em outros bairros, a exemplo da  Arapiraquinha Professora Neuza Gomes da Silva Nascimento Praça Antônio Oliveira da Silva, s/n Jardim Esperança,  Arapiraquinha Professor Erasmo Soares de Araújo Praça Walfrido Oliveira Lima, s/n Primavera.

Arapiraquinha Professor Miguel Valeriano, Praça Antônio Barbosa Rua, José Aranda, s/n, Novo Horizonte   Arapiraquinha Claudenice de Oliveira Pimental, Praça Antônio Juvino da Silva, s/n Canaã.  Arapiraquinha Professor Aluizio Gomes Barbosa Rua Salvelina Leite, s/n Planalto.  Arapiraquinha Profª Maria Magdalena Filha, Praça Higino Vital Barbosa, s/n Canafístula. As Arapiraquinhas foram construídas com recursos proprios do município.

Rico acervo

Cada biblioteca digital de bairro passou a contar a partir da implantação, de um acervo com três mil títulos, incluindo livros contendo a história de Arapiraca, bem como de periódicos, acervos em braile para leitura de pessoas portadoras de deficiência visual, além de salas de acesso à internet com nove computadores em cada uma delas contendo CDs, DVDs, mapas, jogos e bebeteca para abrigar recém-nascidos a partir de seis meses de vida.

Com o  sucesso da iniciativa, outras comunidades passaram a receber as bibliotecas digitais de bairro, a exemplo da implantação da terceira unidade, no Povoado Canaã, e da quarta unidade, no bairro Canafístula e a Arapiraquinha, que funciona no bairro Planalto. No início da gestão da prefeita Célia Rocha, no ano de 2013, a cidade ganhou mais duas Arapiraquinhas, sendo uma na Vila São José e outra no Povoado Bananeiras.

Projeto despertou interesse da Ufal e Uneal

O projeto das Arapiraquinhas como biblioteca digital e incentivo à leitura despertou  a atenção de professores e alunos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e até de pesquisadores da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP) e da Fundação Bill Gates, as bibliotecas públicas digitais de bairro. Atualmente abandonadas, cercadas de lixo por todos os lados, a exemplo da unidade do bairro Planalto e do bairro Primavera.

Na época, a coordenadora das Arapiraquinhas, professora-mestra Eliane Bezerra, e sua equipe de trabalho foram convidadas para dar palestra na Faculdade de Ensino Regional Alternativa (Fera). A iniciativa na época, partiu da professora Luciana Monteiro, que lecionava a disciplina Metodologia de Ensino da Língua Portuguesa, juntamente com um grupo de alunas do curso de Pedagogia da instituição.

Pesquisador pernambucano elogiou o projeto

O renomado pesquisador pernambucano e Doutor em Transferência de Informação, Bibliotecas Públicas e Empresariais, Adalberto do Rêgo Maciel, visitou, na manhã desta terça-feira (14), a cidade de Arapiraca, para conhecer de perto o projeto das bibliotecas digitais de bairros- as conhecidas Arapiraquinhas.

Mestre em Economia pela Universidade da Pensilvânvia, nos Estados Unidos, e professor da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), Adalberto do Rêgo Maciel, esteve reunido com a secretária municipal de Educação, Ana Valéria Peixoto,. Em seguida, o renomado pesquisador visitou as Arapiraquinhas instaladas nos bairros Novo Horizonte, Primavera e, também, a biblioteca digital do Canaã, na zona rural do município.

Na época, a coordenadora das Arapiraquinhas, professora-mestra Eliane Bezerra apresentou a história da criação das bibliotecas digitais de bairro, no ano de 2010, durante a gestão do ex-prefeito Luciano Barbosa atualmente vice-governador e secretário de Estado da Educação, foram implantadas seis unidades, nos bairros Jardim Esperança, Novo Horizonte, Canafístula, Primavera, comunidade rural de Canaã, e bairro Planalto.

“Papo de leitura”

Nas Arapiraquinhas, dezenas de alunos e alunas das Escolas de Tempo Integral participavam ativamente no horário da manhã  do lançamento do projeto “Papo com Leitura”. As atividades de incentivo à leitura e à escrita foram desenvolvidas na biblioteca digital Arapiraquinha Professora Neuza Gomes, cujo prédio foi reformado e revitalizado pela gestão da prefeita Célia Rocha e Yale Fernandes.

Abandonadas e depreciadas pelo tempo e a ação de vândalos

Atualmente as Arapiraquinhas estão abandonadas, desde o final da gestão da então prefeita Célia Rocha e nesses dez meses da gestão do prefeito Rogério Teófilo (PSDB).  Além da depreciação pela ação do tempo, as bibliotecas digitais não contaram com Guardas Municipais e passaram a ser alvo da ação de arrobamento e depredação dos imóveis públicos.

Vereador reivindicou reforma da unidade do bairro Planalto

O vereador Fábio Henrique (PCdoB) em sessão ordinária da Câmara Municipal encaminhou à prefeitura de Arapiraca uma reivindicação  no qual solicita do prefeito Rogério Teófilo a limpeza da maioria das praças da cidade, além da reforma da Biblioteca Pública do Planalto, a Arapiraquinha. De acordo com a solicitação do parlamentar, é necessário que a prefeitura ‘abra os olhos’ para a comunidade em geral que vê suas principais praças em situação total de abandono do poder público municipal.

Secretária diz que abandono está relacionado a mudança de gestão

A idealizado do projeto de leitura Arapiraquinhas, Ana Valéria Peixoto, afirmou que é muito triste e lamentável o abandono de um projeto de incentivo a leitura ser abandonado. Para a educadora, o problema está relacionado a mudança de gestão. Explicou que são oito Arapiraquinhas sendo que três foram construídas na gestão da ex-prefeita Célia Rocha.

O projeto de leitura para Ana Valéria, tinha foco nas crianças e nos pais de alunos que tinham participação nos encotros Papo com Leitura. Nesse projeto existia um resgate da nossa cultura popular das nossas tradições culturais com a apresentação dos mestres da cultura resgatando as tradições, a história e o rico folclore para as crianças e adultos. “E uma grande insensatez abandonar um projeto tão importante de incentivo a leitura”, lamentou Ana Valéria.

Arapiraquinha da Nova Esperança não oferece nenhuma estrutura

A Arapiraquinha do Bairro Nova Esperança está aberta ao público no horário das 8 as 12 h e das 14 as 17 h. No local não tem água e a energia é deficiente. O ar condicionado não funciona. A unidade é frequentada pelos alunos da Escola Municipal Claudecir Bispo, conta com 11  computadores mas sem sinal da internet.

Nota da Prefeitura de Arapiraca

A nova gestão da prefeitura recebeu as Arapiraquinhas com diversos problemas estruturais, que até o momento não foram resolvidos por causa de irregularidades junto as empresas responsáveis pela manutenção desses locais. Tais empresas sofreram distrato de seus contratos e responderão judicialmente pelo não cumprimento do que foi previamente acordado. Apesar disso as Arapiraquinhas estão funcionando de forma parcial, a exemplo da unidade presente no bairro Planalto,que é constantemente utilizado pela comunidade e por alunos da Escola Municipal João Batista

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