Venda da Maratá ameaça pequenas marcas de café

Por em 18 de Maio de 2011


Dona de 22,3% do mercado de café no país, a Sara Lee está negociando a aquisição da sergipana Maratá, uma das marcas preferidas do nordestino. A gigante do setor quer ampliar sua participação nas vendas da região, que hoje é de apenas 9%, e não medirá esforços para conseguir atingir seu objetivo. Segundo o jornal Valor, para se garantir, a empresa negocia com outra marca nordestina uma compra ou fusão, caso a operação com a Maratá não vingue. O negócio gira em torno de R$ 1 bilhão e envolve uma das sete unidades da Maratá, responsável pela produção não só de café, mas de suco em pó e chás. Essa fábrica é responsável por quase metade das vendas da marca, cerca de R$ 600 milhões/ano. A Maratá, marca bem conhecida no mercado alagoano, é a última torrefadora de café de Sergipe, as outras não resistiram à invasão das grandes marcas. O que a Sara Lee pretende é fazer frente a outra multinacional, que hoje detém as vendas entre os nordestinos, a 3Corações, que comprou outra marca bem presente nas nossas mesas, a Santa Clara. A possível divisão do controle desse nicho de mercado entre duas multinacionais reacendeu a polêmica da extinção das marcas regionais de café. Esse fenômeno ocorreu em todo o Nordeste: aqui em Alagoas, dez fabricantes simplesmente sumiram; na Paraíba, só restou a São Braz e, em Pernambuco, muitas marcas tradicionais, como Cirol Royal, não resistiram. A última marca de café alagoana no mercado atualmente é a arapiraquense Coringa. O gerente comercial e de marketing, Sérgio Murilo Pinheiro, prevê que a entrada da Sara Lee acabe com o que resta de pequenas torrefadoras. “Nós só conseguimos nos manter porque o café não é nosso principal negócio e porque investimos em qualidade para competir de igual pra igual com as grandes”, disse o empresário ao blog. A participação do café Coringa no mercado alagoano é impressionante se levarmos em consideração a acirrada concorrência, de cerca de 30%, o que comprova que o consumidor possui uma identificação forte com as marcas locais. Sérgio Murilo diz que os pequenos fabricantes precisam resistir e que o Estado deveria incentivar o ressurgimento de marcas alagoanas emblemáticas, como AFA, Emecê, Craque, Pajuçara e Neguinho. “Todas elas ainda possuem maquinário. Com incentivo, seria possível reavivar essa atividade em Alagoas”, observa. O gerente da marca Coringa reconhece que a invasão das grandes empresas é algo inevitável e que as consequências mais frequentes são os pequenos serem absorvidos ou desaparecerem. “No mundo globalizado é assim. Apesar dessas multinacionais não possuírem identidade com o consumidor, nem com o Estado, no final, o que prevalece é a lei do mais forte”, afirma Sérgio Murilo com um ceticismo que contrasta com o ótimo exemplo de persistência da marca Coringa.
por: Blog da Milena Andrade

Um comentário

  1. Emilio Morales

    16 de Novembro de 2016 at 14:03

    O exame de um possível alvo de uma fusão, aquisição, privatização u operação similar de finanças corporativas exige a manutenção de altos níveis de segurança para proteger documentos confidenciais e evitar possíveis atos de fraude. A fim de realizar tais operações com segurança a melhor solução será usar um software da sala de dados virtual

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